- Editora: Martins Fontes
- Autor: J.R.R. TOLKIEN
- Ano: 1954
- Número de páginas: 434
___________________________________________________________________"Algumas pessoas que leram o livro, ou que de qualquer forma fizeram uma crítica dele, acharam-no enfadonho, absurdo ou desprezível; e eu não tenho razões para reclamar, uma vez que tenho opiniões similares a respeito do trabalho dessas pessoas, ou dos tipos de obras que elas evidentemente preferem." - J.R.R. Tolkien
Curvo-me diante de Tolkien para contar brevemente a história de minha relação com o autor do "Senhor dos Anéis" até pouco tempo atrás. Quando o primeiro filme da trilogia que se tornaria um marco do cinema mundial estreiou, eu tinha 11 anos e estava no auge da minha adolescencia. Chata, impaciente, ranzinza e muito, muuuito rebelde. Junte isso, uma prima igualmente rebelde e um filme de mais de três horas e o resultado só poderia ser catastrófico: eu simplesmente não consegui assistir ao filme. Ao invés disso fiquei conversando, fazendo bagunça, jogando pipoca nas fileiras da frente (sim, eu fazia isso!) e entrando e saindo do cinema toda hora. Até hoje não consigo entender como não fomos expulsas. Graças a essa experiência, O Senhor dos Anéis se tornou um granda trauma na minha vida. Sequer podia ouvir falar no filme, livro ou qualquer coisa relacionada. Quando saía o filme em DVD e meus pais alugavam pra assistir, eu me recusava a ficar em casa, pois não queria nem ouvir. Uns dois anos depois, tentei ler o livro, e bom, não passei das 100 primeiras páginas. Motivo? Como toda boa adolescente birrenta, eu apenas não tive vontade de continuar lendo. Isso fez com que demorassem longos 9 anos desde meu primeiro contato com o mundo de Tolkien para que eu criasse coragem e lhe desse outra chance. Desde então assisti aos filmes, li O Silmarillion, O Hobbit e agora o primeiro volume do Senhor dos Anéis. Curvada diante de J.R.R. Tolkien, humildemente, só tenho uma coisa a dizer: "Me perdoe por ter sido uma menininha chata, tio Tolkien, você é O CARA!"
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel - J.R.R. Tolkien
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
A Sombra do Vento - Carlos Ruiz Zafon
- Editora: Objetiva
- Autor: CARLOS RUIZ ZAFON
- Ano: 2001
- Número de páginas: 399
“Nós existimos enquanto alguém se lembra de nós.” (pág.143)
Sabe aquele livro que te faz rir, chorar, sentir medo, raiva, ansiedade, tanta que você simplesmente não consegue parar de ler e que quando chega ao fim, fica aquele vazio, a típica "depressão pós livro"? Pois é, assim é o livro A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón, que mistura todos os elementos necessários pra transformar uma simples leitura numa viagem maravilhosamente inesquecível. Um livro onde justamente o amor a literatura (que acredito ser a principal característica das obras de Zafón) se torna o ponto de partida pra essa história apaixonante.
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Laranja Mecânica - Anthony Burgess
- Editora: Aleph
- Autor: ANTHONY BURGESS
- Ano: 1962
- Número de páginas: 224
________________________________________________________________
Ambientado numa sociedade futurista onde a violência praticada por jovens possui proporções assustadoras, "Laranja Mecânica" é um dos grandes ícones literários da alienação pós-industrial. Juntamente com 1984, de George Orwell e Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, se tornou um clássico. E na minha opinião, todos os três deveriam ser leitura mais que obrigatória.
# Desafio dos Sete
Oláá pra todos! Hoje venho aqui responder o "Desafio dos Sete" que a querida Eliane do blog Leituras de Eliane me indicou! Vamos lá então:
7 coisas que eu tenho que fazer antes de morrer:
1) Conhecer Londres.2) Ser mãe.
3) Fazer pós graduação em Criminologia.
4) Fazer faculdade de História (só porque gosto mesmo, não pra exercer)
5) Aprender no mínimo 4 línguas.
6) Ter uma biblioteca particular.
7) Publicar um livro.
7 coisas que eu mais digo:
1) Não é bem assim que funcionam as coisas. 2) Sério?
3) Affe.
4) Tenso.
5) Coloque-se no meu lugar.
6) Entendeu?
7) PUTA QUE PARIU! (haha!)
7 coisas que eu faço bem:
1) Dar conselhos.2) Escrever.
3) Ler.
4) Cozinhar. (meu strogonoff, modéstia a parte, é o melhor do mundo haha)
5) Lutar karatê o/ (provavelmente agora que estou parada não luto tão bem assim, mas já fui boazinha um dia haha)
6) Falar inglês.
7) Jogar vídeo game (sério, jogo bem pra caramba haha)
7 defeitos meus:
1) Estressada.
2) Tímida (ou anti-social, se preferirem haha)
3) Ansiosa.
4) Quieta demais quando preciso falar, e falante demais quando preciso ficar quieta.
5) Perfeccionista.
6) Insegura.
7) Preguiçosa.
7 coisas que eu amo:
1) Minha família
2) Meu namorado
3) Amigas (os)
4) Meus cachorros
5) Direito (sim, eu amo o curso que eu faço!)
6) Meus bebês (ou seja, meus livros)
7) Música (Rock 'n' Roll o/)
7 blogs para participarem do desafio:
Difícil :( Parece que quase todo mundo já respondeu :/
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
De volta a ativa em breve...
Minha nossa.
Eu realmente fiquei muito tempo sem postar por aqui. Pra todos os que acompanham e comentam no blog eu peço desculpas.
Vida de universitária que ainda por cima trabalha não é NADA fácil. Desde o último post não consegui ler um livro inteiro sequer. A falta de tempo realmente me pegou de jeito. Aliás, cheguei a conclusão de que se eu tenho um inimigo, este com certeza é o tempo.
Agora, depois de um período absurdamente estressante de provas, trabalhos, projetos e outras coisas frutos da vida universitária, estou praticamente de FÉRIAS (digo praticamente pois ainda tenho uma provinha básica pra fazer e mais um trabalho...).
Cada vez que abria meu armário e me deparava com os meus bebês lindos (meus livros...) eu sentia uma profunda depressão por não ter tempo de lê-los. Pretendo nas férias ler o máximo que puder, pois rumo ao terceiro ano da faculdade de Direito, eu sei que terei cada vez menos tempo.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
O Vendedor de Histórias - Jostein Gaarder
"Era fácil demais inventar coisas, era como patinar sobre gelo fino, como fazer elegantes piruetas sobre uma crosta quebradiça de gelo que cobre um lago com milhares de braças de profundidade. Havia sempre alguma coisa escura e fria acenando debaixo da superfície." - pág. 16
- Editora: Companhia das Letras
- Autor: JOSTEIN GAARDER
- Ano: 2004
- Número de páginas: 208
Sinopse: Inspirado nas suas idas ao circo em companhia do pai, o pequeno Petter inventa um conto de fadas: Panina Manina, filha do dono de um circo, desaparece num rio e é dada por morta, mas acaba resgatada por uma cigana. Anos mais tarde, a menina vira trapezista e vai trabalhar no circo do próprio pai, porém sem que ambos saibam ser pai e filha. Certo dia, Panina cai durante uma apresentação e é socorrida pelo dono do circo. Ao ver o colar de âmbar no pescoço da moça, ele percebe que a artista é sua filha desaparecida. O conto é mais uma das inúmeras fantasias que povoam a imaginação sem freios de Petter, um menino precoce que se torna um adulto solitário. Sua única companhia é o Homem-Metro, um personagem que saiu de seus sonhos para a realidade. Mesmo quando Petter encontra Maria, mulher por quem se apaixona, a relação não dura: termina após um estranho pacto. Para garantir sua subsistência, Petter torna-se o Aranha, uma espécie de ghost-writer que vende os frutos de sua imaginação para escritores sem idéias. Avesso à fama, ele parece ter encontrado a forma ideal para viver do seu talento. No entanto, uma série de conflitos com seus clientes e o retorno de fantasmas do passado colocam sua vida em perigo - e mostram que fantasia e realidade nem sempre correm paralelas. Assim como o trabalho da mente de seu protagonista, O Vendedor de Histórias é um vôo de imaginação. Jostein Gaarder convida mais uma vez a enxergar o mundo com um olhar extraordinário e a refletir sobre o poder da memória e da fantasia sobre o dia-a-dia do leitor e do homem comum.
Se eu tivesse que descrever o tipo de obra de Jostein Gaarder usando apenas uma palavra, seria REFLEXIVA! Ele consegue fazer com que, sem muito esforço, reflitamos sobre os mais variados aspectos de nossa vida, e tudo isso de uma forma encantadora. Seus livros não falam sobre assassinatos, conspirações ou seres sobrenaturais. São livros simples, mas com um conteúdo imensamente precioso.
"O Vendedor de Histórias" é narrado em primeira pessoa, e eu particularmente adoro isso! Adoro viajar na mente do narrador, saber o que ele sente e pensa. Petter, mais conhecido como 'Aranha', nos conta toda sua história de vida, mesclando realidade e fantasia. Somos conduzidos a vários contos paralelos, criados por ele, e achei todos muito interessantes. Petter possui uma imaginação sem tamanho e provavelmente um ego maior ainda. Em momento algum no livro ele escondeu o quão BOM se achava, o que era um pouco irritante.
Me identifiquei com Petter, e provavelmente esse foi um dos motivos que adorei o livro. Não que eu me ache tanto quanto ele se achava, muito pelo contrário, minha auto-estima não é lá aquelas coisas. Mas quando ele conta sobre sua infância, o gosto de inventar histórias e o fato de passar mais tempo vivendo trancado dentro de sua própria imaginação do que no mundo real, isso sim fez eu lembrar muito meu tempo de criança. Assim como ele, muitas vezes eu me confundia sobre o que era 'realidade lembrada' e 'fantasia lembrada'.
Confesso que durante toda a leitura o livro dividiu minha opinião. Às vezes o achava um dos melhores que já li, já em outras não o achava tão bom assim. Petter era um pouco repetitivo, o que em algums momentos tornava a leitura meio cansativa, mas na maior parte do livro era realmente incrível passear pela mente hiperativa do 'Aranha'. Tirando um ou outro mau momento, o livro possui uma narrativa rápida e é facilmente devorável.
O final é realmente ótimo, mas não me surpreendeu. Já imaginava qual seria o desfecho, e isso tirou um pouco a graça. Independente de qualquer coisa, é um livro excelente. Nos faz pensar muito! Diferente de "O Dia do Curinga" e "O Mundo de Sofia", "O Vendedor de Histórias" não é exatamente um livro filosófico. Ele possui uma história mais simples, porém, como todos os livros de Gaarder, é reflexivo.
Mais uma vez peço desculpas pelo post meio "corrido", mas continuo lutando contra o tempo.
E isso aí, até a próxima :)
"Em pouco tempo eu já tinha um caderno cheio de boas sugestões para programas, mas a ideia de que seria possível estabelecer novos recordes de audiência produzindo uma série com centenas de horas sobre uma turma de garotas dando risadinhas idiotas o tempo todo e jovens mãos-bobas superava as minhas fantasias mais delirantes. Também é improvável que César ou Napoleão tivessem imaginação suficiente para máquinas, armas atômicas e bombas de ogivas. Há certas ideias que talvez seja mais sensato deixar para o futuro. Não existe mérito em usar todas as ideias brilhantes de uma só vez." - pág 46
terça-feira, 5 de outubro de 2010
O Hobbit - J.R.R Tolkien
- Editora: WMF
- Autor: J.R.R. TOLKIEN
- Ano: 1937
- Número de páginas: 298
A estória narra o longo e perigoso trajeto de um hobbit chamado Bilbo Bolseiro (tio de Frodo, um dos principais protagonista do clássico O Senhor dos Anéis). A viagem é repleta de aventuras das quais ele desgota até a Montanha Solitária em busca do tesouro roubado pelo dragão Smaug anos atrás. Tudo começa num dia inesperado em que Bilbo recebe a visita de Gandalf com 13 anões, entre eles Thorin Escudo-de-Carvalho - cuja família teve roubado o tesouro. Alguns dos feitos narrados em O Hobbit influirão nos acontecimentos posteriores de O Senhor dos Anéis).
Desde que li "O Silmarillion", e ainda mais agora que li "O Hobbit", fico me perguntando por qual motivo demorei tanto tempo para me render ao mundo de Tolkien. Que os livros dele são extremamente detalhados - isso é um fato. Que muitas vezes possuem uma leitura cansativa - também confere. Mas independente disso, Tolkien nos faz viajar por um novo mundo, repleto de criaturas simpáticas como os hobbits e os anões, e outras nada carismáticas como os orcs e os trolls. Um mundo onde a partir do momento que você entra, não quer mais sair.
![]() |
| John Ronald Reuel Tolkien 1892-1973 |
Como dito na sinopse, o livro narra a viagem de Bilbo Bolseiro, um hobbit, junto com 13 anões (Dwalin, Balin, Kili, Fili, Dori, Nori, Ori, Oin, Gloin, Bifur, Bofur, Bombur e Thorin Escudo-de-Carvalho) , em busca de um tesouro roubado pelo dragão Smaug. Nessa viagem eles se encontram com elfos, travam brigas com orcs e trolls, ganham algumas inimizades e amizades. Mas sem dúvida um dos fatos mais importantes do livro é quando Bilbo encontra o Um Anel e conhece a criatura Gollum (o Sméagol). Na minha opinião aliás esse é o melhor capítulo do livro.Durante toda a história ele é obrigado a utilizar o anel para salvar a si e seus amigos das mais complicadas situações.
Apesar de, sendo um livro de Tolkien, ser obviamente recheado de detalhes e descrições, "O Hobbit" é milhões de vezes mais fácil de ler do que "O Silmarillion". A história é mais simples e possuem poucos personagens (diferente de "O Silmarillion", onde você até se perde com tantos nomes). A leitura é fácil, porém pra alguns pode ser um pouco cansativa.
"O Hobbit" é um livro pra todas as idades. Pode ser apreciado por um adulto assim como por uma criança. A forma como Tolkien narra é excelente. Em certos momentos ele fala diretamente com o leitor, o que torna a leitura muito mais agradável.
Conheço muitas pessoas que não gostam muito dos livros de Tolkien, mas todos têm que pelo menos admitir que ele é um mestre. Ele me conquistou definitivamente. Já não vejo a hora de ler a famosa trilogia de "O Senhor dos Anéis"
Conheço muitas pessoas que não gostam muito dos livros de Tolkien, mas todos têm que pelo menos admitir que ele é um mestre. Ele me conquistou definitivamente. Já não vejo a hora de ler a famosa trilogia de "O Senhor dos Anéis"
É isso ai, desculpem se o post parece meio "corrido" mas estou, pra variar, com falta de tempo. :)
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
# Desafio: Ler livros que eu tanto critico...
Well, well, well...
Venho expecionalmente interromper a sequência de resenhas literárias para comunicar meu mais novo desafio pessoal: ler livros que eu adoro criticar!
Quem me conhece, ainda que um pouco, está cansado de saber o quão eu gosto de criticar livros como "Crepúsculo", e cia. Mas como eu prefiro ser uma pessoa imparcial, e defendo a ideia de que só existe boa opinião se houver bons argumentos, então acho injusto falar tão mal de algo sem realmente conhecer.
Depois de ouvir mais de uma vez: "Marina, você nunca leu tal livro, como pode saber que é ruim?", eu decidi me render aos "best-sellers queridinhos de todos", pra assim poder dar minha opinião com mais propriedade.
E claro que não poderia ser diferente, decidi começar o desafio com "Crepúsculo", de Stephenie Meyer. Se eu vou chegar a ler os outros da saga, ai já é outra história...
E fiz duas promessas à uma amiga minha fã da saga:
1 - ler SEM preconceito!
2 - se eu gostar, terei que dar o braço a torcer.
Como adoro conhecer de tudo, ainda que seja pra criticar depois, acredito que esse desafio será interessante!
Porém, provavelmente demorarei um pouco pra concluir essa primeira etapa, pois não deixarei de ler os livros que realmente me interessam e só "de vez em quando" pegarei outros pra ler.
É isso ai por enquanto, até a próxima :)
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
O Silmarillion - J.R.R Tolkien
- Editora: WMF
- Autor: J.R.R. TOLKIEN
- Ano: 1977
- Número de páginas: 480
Sinopse: O Silmarillion, relata acontecimentos de uma época muito anterior ao final da Terceira Era, quando ocorreram os grandes eventos narrados em O Senhor dos Anéis. São lendas derivadas de um passado remoto, ligadas às Silmarils, três gemas perfeitas criadas por Fëanor, o mais talentoso dos elfos. Tolkien trabalhou nesses textos ao longo de toda a sua vida, tornando-os veículo e registro de suas reflexões mais profundas.
Desde que J.R.R Tolkien se tornou absurdamente conhecido graças aos filmes baseados na sua obra "O Senhor dos Anéis", boa parte do mundo leu seus livros. Até pouco tempo atrás eu, vergonhosamente, nunca havia lido. Demorei anos e anos pra me render aos encantos do maravilhoso e mágico mundo de Tolkien. E logo para iniciar minha viagem pelo seu mundo, escolhi o que grande parte das pessoas chama de 'o seu livro mais complicado e difícil de ler', "O Silmarillion". Motivo de minha escolha foi simples: vamos ler a história pelo começo, certo?
O Silmarillion é como uma introdução pra todas as outras obras de Tolkien. É quase que um manual pra você entender todo o mundo que ele criou. E sim, foi definitivamente um mundo, uma lenda, um folclore. Tolkien não se limitou apenas à escrever um livro. Ele revolucionou o mundo da fantasia nos presenteando com obras tão ricas de detalhes que às vezes é até possível acreditar que tudo que é narrado no livro realmente existe.
O livro começa narrando como tudo surgiu. Ilúvatar, que seria como um Deus supremo é nosso ponto de partida pra essa viagem fantástica. Eru Ilúvatar criou os Valar, ou também chamados Ainur, que eram espíritos. Harmoniosamente todos os Valar cantavam juntos, porém um deles, Melkor provocou uma dissonância, pois ele queria fazer uma música própria. Daí pra frente Melkor se destacou como o grande vilão, também chamado de Morgoth (Sauron, o vilão de 'O Senhor dos Anéis' era o mais fiel seguidor de Morgoth).
Somos apresentados aos elfos, aos homens, aos anões, orcs, trolls e a todas as criaturas do mundo de Tolkien. Boa parte do livro é de guerras. Muitas histórias são narradas, e a que mais gostei foi a 'de Beren e Luthién', capítulo 19 do livro, que narra o amor dos dois. E olha que eu não sou nem um pouco chegada em histórias de amor, porém essa realmente me encantou. E ao final, é claro, é explicado como surgiram os Anéis do Poder.
Confesso que não é dos mais fáceis de ler. São muitos nomes, muitos lugares que, se não fosse pelo glossário no final, dificilmente seria possível entender alguma coisa. Independente disso, O Silmarillion é definitivamente uma obra única, encantadora e poética.
Agora estou lendo "O Hobbit" e estou adorando. Em breve comentários sobre ele aqui também.
Até a próxima ;)
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
O Dia do Curinga - Jostein Gaarder
- Editora: Companhia das Letras
- Autor: JOSTEIN GAARDER
- Ano: 1996
- Número de páginas: 384
Sinose: "Você já pensou que num baralho existem muitas cartas de copas e de ouros, outras tantas de espadas e de paus, mas que existe apenas um curinga?", pergunta à sua mãe certa vez a jovem protagonista de O mundo de Sofia.
Esse é o ponto de partida deste outro livro de Jostein Gaarder, a história de um garoto chamado Hans-Thomas e seu pai, que cruzam a Europa, da Noruega à Grécia, à procura da mulher que os deixou oito anos antes. No meio da viagem, um livro misterioso desencadeia uma narrativa paralela, em que mitos gregos, maldições de família, náufragos e cartas de baralho que ganham vida transformam a viagem de Hans-Thomas numa autêntica iniciação à busca do conhecimento - ou à filosofia.
O Dia do Curinga é a história de muitas viagens fantásticas que se entrelaçam numa viagem única e ainda mais fantástica - e que só pode ser feita por um grande aventureiro: o leitor.
Título Altamente Recomendável pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil - FNLIJ 1996, categoria tradução/jovem
Existem livros que são particularmente cativantes, do tipo que você nunca vai esquecer. Do famoso autor de "O Mundo de Sofia", Jostein Gaarder, o livro "O Dia do Curinga" é daqueles que você definitivamente se apaixona. Aquele que você põe na sua mesinha de cabeceira e diz: 'esse é especial!'.
Somos transportados por uma incrível viagem juntamente com pai e filho. Uma viagem recheada de momentos de reflexão, de lugares diferentes e de muitas curiosidades. Ambos estavam indo à Grécia em busca de Anita, mãe de Hans-Thomas, que havia os deixado 8 anos atrás para "se encontrar" e que estava trabalhando como modelo na capital grega. Uma história simples, aparentemente. E é sim, muito simples, mas ao mesmo tempo tão deliciosamente complexa que consegue nos prender tal qual um super suspense cheio de reviravoltas faria.
Em meio a viagem de Hans-Thomas e pai somos transportados pra um outro mundo, graças a um livrinho minúsculo que o garoto ganhou de um padeiro em Dorf. Nesse livrinho, que pra ler ele necessitava de uma lupa que ganhou de um misterioso anão num posto de gasolina, Hans-Thomas descobre uma história que foi passada por gerações pra jamais cair no esquecimento.
Nessa histórinha conhecemos cartas de baralhos que se tornam anões, bébidas púrpuras que contém diversos gostos e sensações e um Curinga inconformado em não ter explicações sobre sua existência. Aos poucos, Hans-Thomas começa a perceber certa ligação entre o que é narrado no livrinho e sua própria vida.
Juntamente com seu pai ele passa toda a viagem questionando o mundo, a vida, as pessoas e as crenças. E é justamente por questionar tudo, que ambos se consideram 'Curingas'. O Curinga é aquele diferente, aquele que não se conforma com tudo que lhe é dito, aquele que vive em busca de aut-conhecimento.
("Um curinga é um pequeno bobo da corte; uma figura diferente de todas as outras. Não é nem de paus, nem de ouros, nem de copas e nem de espadas. Não é oito, nem nove, nem rei, nem valete. É um caso à parte; uma carta sem relação com as outras. Ele está no mesmo monte das outras cartas, mas aquele não é seu lugar. Por isso pode ser separado do monte sem que ninguém sinta falta dele." - pág 76)
"O Dia do Curinga" nos faz refletir sobre nossa própria existência. Nos faz parar pra pensar no valor de nossas vidas, no quão viver pode ser comparado a uma incrível aventura e no quanto as pessoas ignoram tudo isso. Pra grande maioria é muito mais divertido imaginar criaturas sobrenaturais, vidas em outros planetas, do que se dar conta de como nosso próprio mundo é maravilhoso e absurdamente curioso. Tal qual as cartas de baralho que se transformam em anões, do livrinho que Hans-Thomas estava lendo, muitos seres humanos apenas se conformam com sua existência, sem querer explorar a origem das coisas. Preferem viver no escuro. E o Curinga se diferencia por gostar de explorar e descobrir. Um Curinga é como um filósofo, aquele que busca o conhecimento.
("Vivemos nossas vidas num incrível mundo de aventuras, pensei. Apesar disso, a grande maioria das pessoas considera tudo 'normal'. Em compensação, vivem em busca de algo fora do normal: anjos ou então marcianos. E isso se explica pelo simples fato de que elas não consideram um enigma o mundo em que vivem. Para mim a coisa era completamente diferente. Para mim, o mundo era um sonho muito estranho, e eu vivia em busca de uma explicação racional qualquer para esse sonho. - Hans-Thomas, pág. 164)
Pra muitos o tema "filosofia" pode ser considerado chato, mas o livro é narrado de uma forma tão perfeita que é impossível considerá-lo chato ou entediante. Muitos diálogos são ricos em informação e tudo de forma muito sútil e gostosa. Sem explicações longas e maçantes, pelo contrário, tudo é narrado com simples diálogos entre pai e filho buscando respostas pra vida.
Se você não leu essa obra perfeita, trate JÁ de colocá-la na sua listinha de leitura obrigatória. Jostein Gaarder nos faz mergulhar numa história onde ao mesmo tempo que você não vê a hora de chegar ao fim, você também se sente triste por saber que logo aquela viagem acabará. Não li "O Mundo de Sofia" (e me sinto um ET por isso), mas como o autor me cativou profundamente, tratarei de lê-lo o mais breve possível.
Um livro que nos ensina a buscar sempre o conhecimento, viver intensamente e a amar cada momento acima de tudo, pois cada um é único.
Eu me considero um Curinga, e você? ;)
("Mas tenho certeza absoluta de que um curinga continua perambulando pelo mundo. Ele se encarregará de não permitir que o mundo se acomode. A qualquer momento, e em qualquer parte, pode aparecer um pequeno bobo da corte usando um barrete e uma roupa cheia de guizos tintilantes. Ele nos olhará nos olhos e nos perguntará: 'Quem somos? De onde viemos?'" - pág. 378)
À todos que comentam e lêem o blog, muito obrigada, de verdade. Sem vocês dificilmente, em meio à correria que tem sido minha vida, eu teria ânimo pra continuar postando. Desculpem se os posts não estão muito frequentes, mas estou em meio a minha semana infernal (semana de provas da faculdade). Pra arrumar tempinho pra ler estou tendo que fazer malabarismos. Mas assim que toda essa doidera passar, prometo tentar postar com mais frequência. Obrigada e até o próximo livro :)








