quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O Voo da Vespa - Ken Follett


Editora: Rocco
Autor: Ken Follett
Ano: 2003
Número de páginas: 455

Escrever sobre Segunda Guerra pode ser um clichê. Escrever sobre espionagem durante a Segunda Guerra é um pouco menos comum. Escrever sobre dois jovens que acidentalmente se envolveram com espionagem e precisam, a qualquer custo, ir da Dinamarca à Inglaterra num avião que tempos antes não funcionava, levar uma informação crucial sobre um radar dos alemães, é original. Ken Follett tinha um enredo interessante em mãos. Mas não conseguiu ser cativante. Faltou aquele "algo a mais". Um livro bom, mas nada especial perto de outras obras que já li do autor, como "Queda de Gigantes" e "O Buraco da Agulha".

Harald Olufsen vivia uma vida normal na Dinamarca. Sonhava em ingressar numa Universidade para estudar física, tinha amigos, gostava de uma garota que não dava menor bola pra ele, e tinha um irmão mais velho. Um dia, por acaso esbarrou num estranho local que dava lugar para um radar alemão. Daí em diante, sua vida mudaria, isso por que seu irmão mais velho Arne coincidentemente era noivo da inglesa Hermia Mount, espiã aliada, e grande amigo de um espião na Dinamarca que fazia parte de um grupo intitulado "Vigilantes Noturnos". Harald é então recrutado pra ajudar esse grupo a desvendar o tal radar alemão, e então se envolve num jogo de espionagem junto com a irmã de seu melhor amigo, que também é a garota de quem ele gosta, Karen. E esse jogo vai colocar a vida dos dois, e de todos os envolvidos em jogo. Pra ajudar, Harald tem uma pedra no sapato chamada Peter, policial dinamarques que respondia a ordens de oficiais alemães, e que um dia foi grande amigo de seu irmão, mas por causa de um desentendimento entre a família de ambos, se tornaram inimigos.

A história é interessante, sim. É bem narrada também. Ken Follett é um autor que não deixa você cansado ao ler. Sua narrativa é muito dinâmica, e as passagens com descrições são curtas. Possui uitos diálogos e muitos personagens, cada um com sua devida importância dentro da trama. O problema é que terminei o livro (há uns minutos atrás, aliás) e pensei "hum, legal", e foi só.

Os personagens não cativam. Nem Harald, que é o principal, um jovem sonhador e apaixonado, consegue gerar aquela empatia. Não é o tipo de livro que você sua, ri, chora, arranca os cabelos e roe as unhas torcendo pelo personagem principal. É quase como se fosse indiferente o final ser feliz ou não. Os relacionamentos amorosos do livro também são bem fraquinhos.

Apesar de não ser o que eu denominaria de livro "especial", O Voo da Vespa é mais um bom livro sobre espionagem durante a Segunda Guerra. Dizem que Ken Follett perdeu a mão depois que resolveu escrever livros "Hollywoodianos". Talvez sim, talvez não. Seu livro mais recente "A Queda de Gigantes" é maravilhoso (em breve farei a resenha), e tem diversos personagens pra se apaixonar e odiar intensamente. 
Mais uma vez digo que, talvez, chata seja eu. Eu valorizo demais os personagens dentro de uma história. Gosto do desenvolvimento psicológico e um livro sem personalidades interessantes me deixa desanimada.

O final também é muito previsível e um pouco bobinho. Achei que terminou meio do nada, e muitos personagens ficaram sem um desfecho. É quase como se nas últimas 50 páginas ele tivesse pensado "Estou cansado de escrever esse livro, vou terminar ele logo..."

Faltou carisma, mas Ken Follett é um autor que adoro e respeito. Justamente por esse motivo, dou 4 estrelas como nota pro livro.Talvez se fosse um autor que não conheço, daria 3.

Nota * * * * (muito bom)

2 comentários:

João Paulo Rojas Vidal disse...

Acabei de ler o livro e, olha que curioso, pensei a mesma coisa.
Terminou meio "matado".
Por isso resolvi procurar análises para ver se eu não tinha me perdido na leitura. Sei lá, de repente não tivesse captado algo essencial...
Agora vejo que não.

Enfim, vou procurar para ler esse outro que você citou, A Queda de Gigantes.

Até

Anonimus disse...

Estou lendo o livro agora

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