segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Entrevista com o Vampiro - Anne Rice

  • Editora: Rocco
  • Autor: ANNE RICE
  • Ano: 1976
  • Número de páginas: 334

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   Muito antes de Stephanie Meyer "sonhar" (piada interna!) em escrever sobre vampiros, Anne Rice já o havia feito magistralmente. Considerada uma das principais obras sobre o gênero, talvez apenas atrás de Drácula, de Bram Stoker. Num livro minuscioso e profundo, o primeiro volume das Crônicas Vampirescas, "Entrevista com o Vampiro" conseguiu me deixar arrepiadíssima.


Quando um jovem resolve fazer literalmente uma entrevista, o vampiro Louis não hesita em contar tudo sobre a existência de sua espécie. Descreve todos os seus atos, seus pensamentos e sentimentos como a criatura noturna que se tornou. Mais que isso, conta  todas as dúvidas que passam a assombrá-lo a respeito de sua espécie, da sua imortalidade. Louis pouco sabe sobre os vampiros e não se contenta com isso, enchendo Lestat, o vampiro que o transformou e que foi seu companheiro durante muitos anos, das mais variadas perguntas, as quais este se recusava a responder, quase sempre alegando desconhecer as respostas. Quando Louis e Lestat transformam Cláudia, uma garotinha de 5 anos em vampira, esta se junta ao primeiro em sua curiosidade e ambos decidem partir em busca de respostas. Em sua jornada, conhecem Armand, o vampiro mais velho que existe.

   Anne Rice é mais do que minuciosa. Ela é tão detalhista que cada movimento narrado no livro consegue ser facilmente visualizado pelo leitor. A personalidade de cada personagem é extremamente bem trabalhada e cada passagem é narrada com tamanha profundidade que eu era capaz até de ouvir a batida dos corações dos pobres mortais assassinados pelos vampiros.

Profundo. Impossível utilizar outra palavra pra descrever este livro. É uma obra que nos mostra de forma escancarada o que realmente é ser um vampiro. Muitos mais do que apenas dizer se eles são bons ou maus, Anne Rice disseca a personalidade desta criatura tão intrigante. Ser um vampiro não é apenas sair a noite e matar para satisfazer a fome. Não, ser vampiro é aprender a lidar com emoções infinitamente mais fortes do que a de um ser humano. É nascer de novo, com novos hábitos e novas dificuldades e se adaptar com cada mudança. É questionar sua própria moral, sua existência, seus atos. Anne Rice nos mostra como ser vampiro é muito mais complexo do que poderíamos imaginar.

   Louis é a prova de que ser vampiro não é fácil e que muitas vezes apenas com a ajuda de outro vampiro isso é possível. Porém seu mentor, Lestat, possui uma personalidade irrequieta e uma fome insaciável. É o vampiro matador, e Louis, ainda assombrado pela sua vida mortal, discorda totalmente dos hábitos de Lestat, que por sua vez ignora totalmente quaisquer dúvidas que Louis possua, se mostrando totalmente desinteressado em conhecer melhor sua própria espécie.

   A chegada de Cláudia é o divisor de águas em suas vidas. Cláudia é uma personagem perturbadora. Ser um vampiro não é fácil, mas ser um vampiro que passa a eternidade num corpo de uma criança de 5 anos é pior ainda. Cláudia cresce, mentalmente. Amadurece, torna-se mulher, mas por fora continua sendo a doce e pequena garotinha dos cabelos cacheados. É uma personagem incrível que torna o livro ainda mais intrigante, curioso e diferente do que eu já havia lido sobre o gênero. A agonia de Cláudia é tanta que ela paira entre dois extremos: o ódio pelos seus criadores, por terem-na amaldiçoado a viver num corpinho frágil para sempre, e ao mesmo tempo o amor, por terem-na tornado um ser tão fascinante. Cláudia ama e odeia Louis e Lestat, porém é ao primeiro que ela se une na sede de conhecimento. Lestat é seu parceiro de matança, porém com Louis ela divide sentimentos mais profundos. Disse que ela foi um divisor de águas pois graças a ela, Louis e Lestat, aparentemente inseparáveis, se separaram.

   Apesar da narrativa minuciosa, a leitura é agradável e pelo menos na minha opinião, nada cansativa. Não é um livro de terror cuja intenção é fazer sentir medo, mas Anne Rice tem o dom de transmitir emoções através de suas histórias. Fiquei arrepiada, perturbada, zonza, admirada e tudo de mais intenso senti enquanto me deliciava pelas 334 páginas.


   Pra quem gosta de histórias sobre vampiros, uma observação importante: não espere historinhas de amor, vampiros bonzinhos, interação vampiro-homem ou qualquer coisa que você costuma encontrar nos atuais livros sobre o tema. Este é um clássico, para os fãs do típico vampiro clássico. Intenso, assassino, sanguinário. De resto, mergulhe na leitura que você não vai se arrepender.

   Existe a versão cinematográfica, aliás acredito que todos já tenham ouvido falar. Não assisti ainda mas pretendo fazê-lo muito em breve. Louis é interpretado por Brad Pitt, Lestat por Tom Cruise, Armand por Antonio Banderas e a Cláudia é interpretada pela então pequena, Kirsten Dust (a Mary Jane, de Homem Aranha).

   A série "As Crônicas Vampirescas" possui muitos outros volumes, sendo o segundo "O Vampiro Lestat" onde veremos o seu ponto de vista sobre a história contada por Louis, além de conhecermos muito melhor esse vampiro intrigante.

Até a próxima :D

2 comentários:

Daniela disse...

Adorei a resenha. :)
Sou apaixonada por esse livro, e pela escrita da Anne Rice. O segundo livro me espera, mas tenho tantos livros que nem sei quando é que vou ler XD Mas já imagino que vou amar, porque Lestat é um dos meus personagens favoritos.

bjs :*

Pah Montanari disse...

Anne Rice me choca a cada página. Pouca gente faz isso hoje em dia...

Entendi a piadinha haha

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