terça-feira, 17 de agosto de 2010

No circo da vida, quem ri é o palhaço.


Acredito que todos algum dia na vida já foram no circo. Sim, o circo, aquele espetáculo, onde humanos e animais fazem coisas impressionantes. Aquele local colorido, alegre. Aquelas arquibancadas de madeira que dão a péssima impressão de que poderão desmoronar a qualquer momento, aquelas enormes tendas de inúmeras cores. Você, criança, chegando com sua mãe ou qualquer outro familiar. Segurando uma maça do amor de um lado, a mão de sua mãe do outro. Você senta na tal arquibancada de madeira e ali vê elefantes, malabaristas, macaquinhos, equilibristas. Mas o momento mais esperado costuma ser sempre o bom e velho palhaço. Afinal, ele está ali para fazer rir, não é? Durante o seu espetáculo, nós rimos. Durante seu espetáculo, aqueles em que faltam um pouco de sensibilidade, por vezes até o ridicularizam. Afinal, ele é um homem que dá a cara pra bater. Diante de muitas pessoas ao longo de sua vida ele apresenta seu espetáculo. Ele enfrenta a platéia. Ele não se envergonha de ser quem é, o palhaço. Aquele que usa roupas coloridas. Aquele de quem as pessoas riem. Mas ele não se importa, sabe por quê? Enquanto você ri, o pobre palhaço está batalhando. Batalhando pela vida, trabalhando. Ser palhaço é seu ofício, ele se orgulha disso.
A vida é como um circo. Todos os dias cada um de nós apresenta nosso “espetáculo pessoal”. Às vezes existem espectadores interessados, outros que não prestam menor atenção. Assim como no circo, existem aqueles que adoram ridicularizar o nosso espetáculo individual. Adoram rir. Afinal, nós somos os palhaços, não é? E na vida, palhaço é pejorativo. Somos os alvos das chacotas, das piadinhas, das risadas. Somos entretenimento pra aqueles que não possuem capacidade de criar o próprio espetáculo. Afinal, ser palhaço é um dom.
Mas nós, palhaços da vida, nos dedicamos ao nosso espetáculo individual. E enquanto existem aqueles que riem, nós batalhamos. Tal qual o conhecido palhaço do circo, nós batalhamos pela vida. Aprimoramos nosso espetáculo. Tentamos melhorar a cada dia. Não damos importância pras risadas, temos orgulho de ser quem somos.
No circo da vida, o palhaço é que se torna o verdadeiro homem. Aquele que cresce, que evolui. Pois enquanto você passou a vida rindo, ele estudou, trabalhou, aprendeu com seus próprios defeitos, foi capaz de se auto-criticar. Enquanto você perdeu tempo rindo dele, ele usava esse tempo pra ser melhor do que nunca. E ai rir dele se torna motivo de vergonha pra você mesmo, afinal, será que você também evoluiu?
E é ai que fica nítida a diferença entre aquele circo colorido que íamos quando crianças e o circo da vida. Neste último, no fim das contas, quem ri é o palhaço ;)
Postzinho dedicado a algumas pessoas medíocres com quem sou obrigada a conviver. Se a carapuça servir, sinta-se a vontade, e vista-a! ;)

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Ensaio Sobre a Cegueira - José Saramago

  • Editora: Companhia das Letras
  • Autor: JOSE SARAMAGO 
  • Ano: 1995  
  • Número de páginas: 312

    Sinopse:
    Um motorista parado no sinal se descobre subitamente cego. É o primeiro caso de uma "treva branca" que logo se espalha incontrolavelmente. Resguardados em quarentena, os cegos se perceberão reduzidos à essência humana, numa verdadeira viagem às trevas.
    O Ensaio Sobre a Cegueira é a fantasia de um autor que nos faz lembrar "a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam". José Saramago nos dá, aqui, uma imagem aterradora e comovente de tempos sombrios, à beira de um novo milênio, impondo-se à companhia dos maiores visionários modernos, como Franz Kafka e Elias Canetti.Cada leitor viverá uma experiência imaginativa única. Num ponto onde se cruzam literatura e sabedoria, José Saramago nos obriga a parar, fechar os olhos e ver. Recuperar a lucidez, resgatar o afeto: essas são as tarefas do escritor e de cada leitor, diante da pressão dos tempos e do que se perdeu: "uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos".
Confesso que hesitei algumas vezes antes de escrever sobre esse livro. Em primeiro lugar porque José Saramago (Que Deus o tenha!) era um mestre. Em segundo lugar porque "Ensaio Sobre a Cegueira", que está em minha lista mental "Melhores livros que já li...", é profundamente intenso.

Primeiramente gostaria de narrar o primeiro contato que tive com algum livro escrito pelo mestre da literatura portuguesa. Estava eu na Santa Casa em junho deste ano, internada, com pneumonia, toda sofrendo e cheia de dores, quando minha amiga Paula, em uma de suas visitas, me levou um livro. Era "Caim" (que diga-se de passagem fui eu que dei pra ela de amigo secreto), a última obra do "titio" Saramago (que até então era vivinho da silva). Confesso e sinto-me envergonhada que até então eu nunca havia lido nenhum livro dele. E "Caim" foi meu fiel companheiro durante aqueles 3 dias horríveis que passei internada. Normalmente eu o leria em algumas horinhas, mas a pneumonia tinha realmente me pegado de jeito e o cansaço que ela me causava não me deixava ler por muito tempo seguido. E foi realmente amor a primeira lida. O jeito peculiar de Saramago escrever me conquistou. E foi só eu estar prontamente curada pra ir correndo na biblioteca municipal pegar mais livros pra ler.

Bom, agora que já contei (e dramatizei um pouquinho...) quando efetivamente conheci o trabalho magnífico deste homem que morreu pouco tempo depois dessa minha "aventura" hospitalar, vamos ao que interessa: " Ensaio Sobre a Cegueira".

Apenas tente imaginar: todos em sua cidade, pouco a pouco, se tornam CEGOS. Simplesmente cegos. Sem nenhuma explicação.
Agora imagine que todos esses cegos vão, conforme são descobertos, sendo colocados em Quarentena. Sim, eles são isolados do resto da cidade, pois aparentemente a tal cegueira é contagiosa. E agora pense: e se no meio de tantas pessoas desprovidas de visão você fosse a ÚNICA a enxergar? Bom, imagino que todos devem pensar "isso é uma benção, claro, seriamos privilegiados". Talvez sim, talvez não. Pois imagine como é ver o sofrimento de todos eles e o quão responsável você acabaria se sentindo por aquelas pessoas. Ou como é dito no livro "a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam".

O cenário que imaginamos ao ler é caótico. Homens se tornam animais. A higiene passa a inexistir. E eu achei genial o fato de ninguém no livro ter nome. Os personagens nos são apresentados como: o médico, a mulher do médico, a rapariga de óculos escuros, o primeiro cego, entre outros. As pessoas perdem a identidade, já não se importam mais com quem são. E tudo isso é narrado de forma fantástica. A peculiar escrita de José Saramago, apenas com vírgulas como pontuações, está presente. Refletimos durante todo o livro, sofremos com os personagens, nos sentimos impotentes como eles, conseguimos visualizar o caos. Definiria este livro com duas palavras: angustiante e brilhante.

Dentre as personagens sem nome existe uma que enxerga, como eu havia dito, e que só foi parar na "Quarentena" para poder acompanhar o marido. E a força desta personagem é admirável. "Ensaio Sobre a Cegueira" é uma crítica moral e social absurda. É de um conteúdo sem dúvidas precioso.

Apenas um probleminha (pessoal...) com relação a esse livro: Saramago morreu UM DIA após eu começar a ler. Coincidência mais sombria essa é que, o mesmo aconteceu anos atrás, quando eu comecei a ler Sidney Sheldon. Acredita que pouco tempo depois o homem morreu? Se isso acontecer mais uma vez eu juro que paro de ler autores vivos ;x (ainda bem que muitos dos que eu leio já estão mortos mesmo).

Deixando de lado a conversinha fúnebre, a verdade é que Saramago pode ter morrido, mas suas obras vão ficar pra sempre. São maravilhosas, inesquecíveis. Me faltam adjetivos pra vangloria-lo. Se você não leu Ensaio Sobre a Cegueira, LEIA. Se você não leu nada de Saramago, LEIA. E me desculpe, mas se você ler e não gostar, eu acho melhor nem saber que tipo de livro você prefere.

Até o próximo livro ;)

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A Hora das Bruxas Vol 1 e 2 - Anne Rice



  • Editora: Rocco
  • Autor: ANNE RICE 
  • Ano: 1994 (Vol.1) / 1999 (Vol.2) 
  • Número de páginas: 490 (Vol. 1) / 492 (Vol. 2)

    Sinopse: Em A Hora das Bruxas, a autora mais uma vez exorciza seus demônios e fantasmas, narrando a saga de uma família que em quatro séculos vive entre feitiçaria e forças ocultas. A família Mayfair é o ponto central de uma dinastia de bruxos, que cresceu e prosperou dedicando-se à magia negra. Entre os Mayfair, convive-se pacificamente com o incesto, os assassinatos e com o espírito meio divindade celta, meio demônio, chamado Lasher. O romance se desenrola cronologicamente para a frente e para trás, passando por Nova Orleans e São Francisco atuais e deslocando-se até o Haiti ou a um castelo na França de Luis XIV. As bruxas de Anne Rice não pilotam vassouras: são mulheres mafiosas, ocultas sob uma delicadeza fútil. Para elas, a bruxaria é a ciência mais confiável.

Que estamos vivendo numa época onde livros de fantasia têm tomado conta das listas de mais vendidos, isso é fato! Mas muitas pessoas têm se atentado apenas à onda de novos autores do gênero, esquecendo que existem muitos ótimos autores que, pra quem gosta desse tipo de história, deveriam ser leitura obrigatória. Livros de Tolkien, Lewis, Bram Stoker e Anne Rice deveriam figurar na listinha de "Livros que todos que gostam de literatura fantástica devem ler...". Pois eu li os quatro. E é sobre um livro da "rainha" de livros de fantasia e terror, Anne Rice, que eu quero compartilhar minha opinião.

Em 1976 Rice escreveu seu primeiro livro, "Entrevista com o Vampiro", o volume 1 da série "Crônicas Vampirescas". E durante muitos anos foram os famosos vampiros os personagens principais de suas histórias. Em 1990 numa junção do científico e do místico ela resolveu sair um pouco do mundo dos chupadores de sangue. Foi de uma mistura de bruxas, demônio e ciência que ela criou a série das Mayfair. As bruxas Mayfair. E tenho que dizer que tirando o fato de ele ser realmente excelente como eu imaginava, este livro não é nada do que eu estava esperando.
 

"A Hora das Bruxas" apesar de ter sido dividido em 2 volumes é na realidade uma única história. Ela se passa em tempos contemporâneos. Nos primeiros capítulos somos apresentados, sem muitas explicações do por que, a vários personagens.  E eu fiquei me perguntando: "Tá, tudo bem, mas o que eles têm a ver com a história?". Não sei se fui apenas eu, mas foi isso que pensei no começo. Mas ao desenrolar da trama os pontos começam a ser ligados e tudo então passa a fazer sentido. 

Em resumo o livro fala sobre uma família que desde a época da Inquisição era acusada de bruxaria. Ao longo das mais de 1000 páginas que compõem os dois volumes, somos apresentados à todos os membros do clã Mayfair. Desde personagens carismáticos como Katherine e Deirdre, até personagens não muito simpáticos, como Carlotta. Mas o centro de toda história é na realidade a herdeira do clã, Rowan. E ela não irá herdar apenas dinheiro e propriedades. Existe um mistério que envolve a família Mayfair. Um homem. "O HOMEM", como é chamado algumas vezes. Seremos introduzidos a Lasher, o demônio que persegue os Mayfair desde a sua mais antiga descendente, Déborah. E justamente com relação a Lasher que temos o assunto ciência no livro. Mas isso eu não posso explicar, pois tira um pouco da graça pra quem for ler ;)

Mas provavelmente o personagem mais carismático é sem dúvida Michael, que acaba "caindo de pára-quedas" na história das Mayfair, mas desenvolve um papel muito importante na trama.

Eu imaginava um livro mais sombrio. Se você procura algo pra sentir medo, "A Hora das Bruxas" definitivamente não é o seu livro. Mas se você procura um livro de qualidade, bem escrito, com uma trama bem desenvolvida, ai sim, não tenha medo de pegar os dois grossos volumes e se aventurar. 


Anne Rice é extremamente detalhista e eu conseguia visualizar cada pequeno movimento dos personagens enquanto lia. A forma com que ela narra nos faz entrar dentro da história. 

A série das bruxas Mayfair ainda é composta por mais dois livros: Lasher (sim, o demônio Lasher) e Taltos. E não se decepcione quando chegar ao final do segundo volume e descobrir que não há exatamente um desfecho. Pra um final satisfatório você terá que ler "Lasher" (eu ainda não li). Até onde sei "Taltos" já é um pouco independente dos outros livros da série.

Recomendo 100% e estou doida pra ler os dois outros livros e todos os outros de Anne Rice. Ela é ótima e o título de "rainha dos livros de terror e fantasia" não lhe foi dado à toa. 

Até a próxima ;)

terça-feira, 10 de agosto de 2010

O Rei do Inverno - As Crônicas de Artur Vol. 1 - Bernard Cornwell


  • Autor: BERNARD CORNWELL
  • Editora: RECORD
  • Ano:1995 
  • Número de páginas: 544

    Sinopse: Primeiro volume da trilogia que conta a mais fiel história de Rei Artur. A partir de fatos, este romance genial retrata o maior de todos os heróis como um poderoso guerreiro britânico, que luta contra os saxões para manter unida a Britânia, no século V, após a saída dos romanos.


Quem nunca ouviu falar de Rei Arthur, os cavaleiros da Távola Redonda, Merlin ou Lancelot? Personagens que já deram margens a várias histórias. Uma lenda jamais comprovada.
Há alguns anos atrás eu peguei "O Rei do Inverno", o primeiro volume da trilogia sobre Artur, escrita por Bernard Cornwell, pra ler. Na época fazia pouco tempo que eu tinha lido um livro sobre o mesmo assunto, a famosa quadrilogia "As Brumas de Avalon", de Marion Zimmer Bradley, que figura entre meus livros prediletos, com certeza. Talvez e provavelmente por este motivo, eu não consegui sequer passar do primeiro capítulo. Não que o livro fosse ruim, longe disso, eu apenas não estava preparada pra ler uma história tão diferente, falando do mesmo assunto. 

Há alguns dias, dando uma voltinha pela biblioteca municipal encontrei "O Rei do Inverno", já bem mais gasto do que da primeira vez que o tinha pego. Fico inconformada em ver como as pessoas não tem menor cuidado com os livros. Enfim... apesar de ter vários livros que acabei de comprar em casa me esperando, resolvi fazer mais uma tentativa de aceitar outra versão pra história de Artur. O bibliotecário até comentou: "Você já pegou este aqui antes".

Iniciei novamente minha viagem de 544 páginas, mas dessa vez, cheguei até o fim. E apesar das inúmeras diferenças entre "As Brumas de Avalon" e "O Rei do Inverno", Bernard Cornwell sem dúvidas conseguiu me convencer e colocar seu livro na minha lista de "Todos deveriam ler...".

Em primeiro lugar, eu não posso deixar de comparar as duas histórias. A feiticeira Morgana, irmã de Artur e predileta de Merlin, que em "As Brumas de Avalon" é sem dúvida uma das principais, em "O Rei do Inverno" não passa de uma figurante. As definições também são completamente diferentes. No primeiro, ela é uma mulher forte, poderosa, digna, que apesar de não ser necessariamente bela, tem traços marcantes e que chamam atenção. No segundo, ela é feia, deformada por um incêndio cobre o rosto com uma máscara e só consegue dar medo nas pessoas. E em "O Rei do Inverno" ela tampouco é a predileta de Merlin. Esta, no caso, seria Nimuê. 

Artur também é diferente. O que podemos ver no livro de B. Cornwell é que ele é sim um homem bom, digno, que passa confiança. Porém possui uma fraqueza que tal qual Paris, de Homero, levou duas nações à guerra: uma mulher. Paris fraquejou pela bela Helena, e devido a isso causou a famosa Guerra de Tróia, narrada no livro "A Ilíada". Artur foi pela bela ruiva Guinevere, e esse sem dúvida foi seu grande erro.

Lancelot desse livro também é totalmente diferente daquele que estamos acostumados. Não é aquele guerreiro corajoso, destemido, tão maravilhoso como é normalmente narrado. Ele é um grosso, que adora arrumar briguinhas, se acha superior mas sempre que pode foge de uma batalha. 

A história é narrada por Derfel Cadarn, ou melhor, Lorde Derfel Cadarn, um dos melhores guerreiros de Artur. Ele conta desde o nascimento do futuro Grande Rei da Bretanhã, que pasmem, não é Artur, e sim Mordred, até o final da batalha entre os homens da Dunmonia, comandados por Artur, contra o rei de Powys, Gorfyddyd e outros aliados. 

Derfel conta a história de seu ponto de vista, dando também ênfase à sua própria história de vida, como seu amor por Nimuê e posteriormente sua paixão por Ceinwyn, princesa de Powys. 

Não vou sair contando toda história por aqui, quem quiser saber terá que ler o livro haha. Mas com certeza, recomendo 100%, é um livro bem escrito, com um excelente ritmo, pra quem é acostumado a ler com certeza é uma leitura fácil. Apesar de seu tamanho (544 páginas) é o tipo de livro que você devora. 

Algumas coisas é claro, nunca mudam. Merlin também é poderoso, Artur também possui a famosa Excalibur, dada pelo próprio Merlin. 
"As Brumas de Avalon" é e sempre continuará sendo um dos meus favoritos. Continuarei sendo fã de carteirinha de Morgana, mesmo em "O Rei do Inverno" ela não ser digamos que muito cativante. Mas o livro de Bernard Cornwell merece tanto destaque quanto. E no meu próximo passeio à biblioteca pretendo com certeza pegar os dois outros volumes da trilogia: "Inimigo de Deus" e "Excalibur".

Até a próxima ;)
 

O Leitor - Bernhard Schlink

  • Editora: Record
  • Autor: BERNHARD SCHLINK
  • Ano: 1995
  • Número de páginas: 240

    Sinose:
    Michael tem somente 15 anos quando conhece Hanna, uma mulher 21 anos mais velha. É o início de uma delicada relação amorosa, marcada por pequenos gestos e rituais. A leitura de clássicos de Tolstói, Dieckens e Goethe precede os encontros. Ao longo de meses, o casal repete essas cerimônias, interrompidas pelo súbito desaparecimento de Hanna. Sete anos depois, Michael, estudante de direito, é convidado a tomar parte em um julgamento contra criminosos do regime nazista. Ele descobre que uma das acusadas é sua antiga amante, o que o lança a um vórtice de culpa e piedade.
 

Ler um livro... e refletir. Cada livro tem uma qualidade única. Alguns nos fazem viajar, outros nos deixam tensos e ansiosos para o desfecho. Alguns tem histórias complexas e nos surpreendem a cada capítulo. Outros são simples, nada de surpresas, suspenses, teorias... Apenas uma narrativa que nos faz entrar na vida do personagem e sofrer com ele, sorrir, chorar e refletir sobre nossa própria vida... Simples, mas intensos.
É com esses dois adjetivos que eu definiria o livro "O Leitor", de Bernhard Schlink.

Sim, esse mesmo "O Leitor" que vocês estão pensando. Aquele que deu origem ao filme com Kate Winslet e Ralph Fiennes. Filme esse que acreditem se quiser, eu não assisti. Eu tenho um probleminha com filmes baseados em livros. Prefiro sempre ler antes, afinal o "passeio" se torna mais agradável quando deixamos o livro tomar conta de nossa imaginação. Quando vemos o filme primeiro, não imaginamos, apenas recordamos.

"O Leitor" é narrado por Michael Berg, que aos 15 anos se apaixona por Hanna Schmitz, 20 anos mais velha. Depois de compartilharem muitos momentos juntos, desde brigas, carinhos e os livros que Michael lia pra uma Hanna entusiasmada, ela simplesmente foi embora. Sumiu, sem aviso nem explicação. Michael passou anos de sua vida se questionando a respeito do seu amor e de sua relação com ela. Não conseguia manter um relacionamento com nenhuma mulher. Casou e teve uma filha, porém isso não foi suficiente pra manter seu casamento. Anos se passaram e ele a reencontrou... em seu julgamento.

Ela e mais algumas mulheres estavam sendo julgadas por fazerem parte da SS, durante a Segunda Guerra Mundial, e supostamente terem deixado prisioneiras morrerem durante um incêncio que ocorreu numa Igreja de um campo de concentração. Michael faz parte de um grupo de estudantes de Direito convidados a assistir e estudar o julgamento.

É nesse momento que muita confusão começa a ocorrer na cabeça de Michael. Confusões com relação aos seus sentimentos, às atitudes que deve ou não tomar. E eis que durante o julgamento ele descobre um segredo de Hanna. E pra não revelar esse segredo, ela prefere ser condenada.

Conseguimos sentir o que Michael sente. Conseguimos ter as mesmas dúvidas, a mesma angústia. Refletimos sobre nossas vidas durante suas reflexões. Nos questionamos a respeito daquilo em que ele se questiona.  O final do livro é belo e triste. Conseguimos também nos imaginar no lugar da Hanna. E sofremos muito com ela.  Como eu disse, é simples e intenso. São apenas 240 páginas que nos passam tantas mensagens.

Pretendo assistir o filme. E como Ralph Fiennes e Kate Winslet são atores maravilhosos, acredito que ele seja tão belo quanto o livro.

Recomendo 100%.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

:)

Eu sempre tive vontade de ter um blog para escrever sobre os livros que eu leio. Mas a falta de tempo, e confesso que muitas vezes a preguiça, não me deixavam fazer isso. Bom, aqui estou eu pelo menos TENTANDO me comprometer a postar com frequência neste blog.

Deixe me apresentar. Eu sou Marina, 20 anos, estudante de Direito, leitora compulsiva. Já li tantos livros que perdi a conta. Sou capaz de devorar 4 livros de mais de 400 páginas por semana mesmo tendo que dividir meu tempo entre trabalho, faculdade e namoro. Compro mais livros do que posso ler e até mesmo do que posso pagar rsrs. Costumo dizer que vou ler todos os livros do mundo. E quer saber, acho que vou mesmo, tirando alguns Crepúsculos e afins, que me desculpem aqueles que gostam, mas eu dispenso.

Gosto de livros dos mais diversos temas. Livros de História e Filosofia, suspense, drama, épicos... livros de Direito, é claro...só não sou muito chegada em histórias de amor, apesar que já li alguns e até gostei. Quando entro numa biblioteca, pareço uma criança dentro de uma loja de brinquedos. Costumo chamar meus livros de "bebês", e tenho um ciúme doentil por eles.

Também pretendo usar esse blog para divagar um pouco. Alguns desabafos, pensamentos aleatórios... afinal, todos temos aqueles dias em que por sentimentos pra fora é necessário...

Bom, por enquanto é só. Espero voltar em breve comentando sobre algum livro ;)